Lartigue inventou o melhor de Búzios

Por Mark Zussman

6a63f736dc4f21d4b8939a5f2dbcfe10f6ba048aNa semana passada, não dava para pensar em outra coisa se não nos atentados em Paris. Mas acabo de reler, finalmente, minha matéria no Perú, da semana anterior, sobre Marcelo Lartigue, o fundador deste jornal. Estou falando da matéria em que eu disse que o Macelo sempre era o personagem mais interessante em suas próprias páginas e também – como boêmio, como anarquista, como equilibrista financeiro, como promotor incansável do Perú e de Búzios, como estrangeiro argentino ainda e sempre em conflito com a língua portuguesa – provavelmente o personagem mais representativo da nossa cidade. Mas ocorreu-me, enquanto eu relia, que o personagem de Marcelo não era o único que o Marcelo criou nas páginas do Perú. Criou também o repórter investigativo Muchacho Bicho Doido, o Cabelada, o Capitão Caverna, a Drika de bolsa cheia, a socialaite Angela Barroso. Até o Sandro e o Mohamed Hamber são em grande medida criações do Marcelo. É óbvio que um personagem tão absurdo como o Rui não poderia existir na realidade. O Rui também deve ser uma criação do Marcelo e comecei a pensar que os gêmeos Mirinho e Toninho – para os anglófonos, os nossos Tweedledee e Tweedledum – também são criações do Marcelo. Resta a possibilidade de que todos nós, nós os moradores deste balneário ao mesmo tempo ridículo e fabuloso, não existiríamos se não tivéssemos saído da fértil imaginação editorial do nosso grande e saudoso Marcelo.

O Píer na Rasa pode ser uma solução

O transporte aquático ainda não foi explorado a altura

Andrelino, o eterno pescador e liderança da Rasa, aponta o local onde poderia ser o novo pier

Andrelino, o eterno pescador e liderança da Rasa, aponta o local onde poderia ser o novo pier

Após apresentação do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) na 2ª Audiência Pública alguns questionamentos ficaram no ar e se propagaram pelas redes sociais. Um, em especial, de grande importância: o valor pago na pesquisa, especulado em torno de R$ 3 milhões. A critica feita por ambientalistas e formadores de opinião da cidade está no fato de que soluções para solução do problema de mobilidade foram apresentadas – na maioria tópicos que já estão presentes no Plano Diretor e no plano de mobilidade urbana do município -este último publicado em 2011, e no entanto não se apresenta quais meios e de que forma serão realizadas.

O ponto positivo apresentado pela Agenda 21 da cidade é o fato de ter sido considerado o transporte marítimo como uma das ações que podem resultar na diminuição de carros no veiculo, a exemplo do que já acontece na Bahia e mais recentemente no Rio Grande do Sul, que estão fazendo uso de super catamarãs.
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MMX Ambiental: finalmente em Búzios uma empresa de limpeza de detritos profissional

DSC08854Com 17 anos de experiência a MMX Ambiental está atuando em Búzios, sua sede fica no bairro da Rasa, especializada em limpeza de fossas utilizando equipamentos modernos, já se tornou conhecida na cidade após instalar quatro banheiros químicos na praia da Ferradura – um masculino, dois femininos e um especifico para atender a Portadores de Necessidades especiais (PNE). Recentemente realizaram uma demonstração do seu trabalho -durante o feriado prolongado de réveillon, no banheiro público, o que surtiu efeito.

Os comentários são de que durante os três dias que a MMX atuou no banheiro do centro foi eliminado o cheiro ruim que se sentia, além de se constatar mais limpeza e organização.
“Com o passar dos anos a empresa adquiriu uma frota de veículos que atendem desde pessoas que necessitam de pequenos desentupimentos, até grandes empresas que necessitam de um trabalho mais específico, incluindo sucção, hidro-jateamento, limpezas de linhas de produção, limpeza de lagoas de ETE, fossas e caixas de gordura”, disse Marcio Machado, diretor executivo da empresa.
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“Em 2015 espero que Búzios tire o cu da reta”

Zé Itajahy está vivo!

Por Victor Viana

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Victor de olho no zapzap enquanto entrevista Zé

Pra mim foi um realização ter entrevistado no ano passado Zé Itajahy – aquela em que ele disse que em 2014 Búzios tomaria no cu direto. “E tomou, não foi?”, perguntou rindo na última segunda-feira (5), em sua bela casa em frente à Praça dos Ossos. Gentilmente nos convidou pra entrar e, após uns segundos, disparou: “Victor, você não atende celular não, seu viado?”.  Quando eu ia tentar explicar o problema que todos passando na cidade estão  com as empresas  de telefonia, ele interpelou o Muchacho no momento em que esse iria bater uma foto.  “Quer me fotografar de pau duro ou mole?”, perguntou em tom sério e depois riu bastante.  Zé completou  que está  menos insatisfeito com a situação do bairro dos Ossos, lembrou de algumas histórias e pessoas, em especial do Marcelo (Lartigue), mas não deixou de fazer suas costumeiras reclamações e soltar uns palavrões.

Zé, o objetivo aqui é o de sempre: sua visão sobre esse ano que está começando.  Como vai ser?

Nesse ano, engraçado isso, estou otimista em relação à Praia dos Ossos, que depois da limpeza  feita pelo enfermeiro (se referindo ao prefeito André Granado), que ao invés de ficar bebendo  água do golf e dizendo que água de merda é muito gostosa, deveria ver como a cidade está abandonada, até que ficou boa.

O bairro dos Ossos é um dos mais tradicionais do município, considerado por muitos, o verdadeiro centro de Búzios. Continua com o charme de sempre?

Até que sim. Aqui na Praça está muito bonitinha, teve a recuperação da estatua do menino – que é filho do Mario Paz, e do cachorrinho, feitas em bronze pela Christina Motta. Também  estamos na esperança da inauguração de uma pousada que será muito chique, moderna.  Fará limite com o cemitério de Sant’Anna.  Um francês que esta acreditando no bairro, e em Búzios, vai injetar um dinheiro aqui. Tem que se dar mais atenção a esse  lugar que é onde Búzios começou.  Aqui era o fervo de 50 anos atrás, porque aqui tinha o Castejá.  Aqui na frente era lama (aponta para a o cruzamento entre a praça e a igreja metodista), então a mulherada vinha nos trinques, de vestido longo, e então tinha uma vasilha na porta onde se podiam lavar os pés antes de entrar (risos). A primeira banca de jornal de Búzios era aqui na Praça dos Ossos, inclusive era do Marcelo e do Aníbal, e o Lorram, hoje vereador, trabalhou lá quando criança. O Aníbal e o Marcelo eram dois guerreiros doidões.  Sempre achei o Marcelo maior, mas o Aníbal era mais culto, jornalista do JB, Globo. Mas bebia pra caralhoooo.  Mas voltando ao que eu dizia: Os ossos ainda é o melhor lugar para se viver aqui em Búzios.  Recebeu até um up, embora haja uma baixa de qualidade em quem visita a cidade. Isso parece que não terá fim, esse turismo de merda. Minha casa estava à venda, mas agora não está mais. Eu não queria ir embora, mas é que só ver merda cansa.  O que está me chateando um pouco  é que recentemente perdemos um personagem interessantíssimo, que é o Dagil.

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Pelo direito de satirizar

Por Mark Zussman

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Quando eu morava em Paris muitas décadas atrás e trabalhava nesse mundo da edição, gostava muito do Charlie. Estava até envolvido, muito brevemente, num projeto para trazer uma versão do Charlie para os Estados Unidos. O projeto era mal pensado e ingênuo. O humor do Charlie era totalmente local e se traduzia tão mal quanto a poesia. Ou pior. Nem o espírito desse humor se traduzia bem. O espírito do humor francês, o Charlie sendo um exemplo super-representativo, conteúdo à parte, é uma coisa. O humor brasileiro é uma segunda coisa, o humor britânico uma terceira coisa, o humor americano uma quarta coisa e assim por diante. De qualquer forma, eu acho a liberdade da imprensa muito importante mas eu acho a liberdade de sátira e de fazer chacota absolutamente imprescindível. Sem a liberdade da imprensa e de expressão não tem liberdade, mas sem a liberdade de sátira e de fazer chacota não tem liberdade da imprensa. Viva Charlie! Não gosto da idéia de viver num mundo em que todo jornal ficasse tão sisudo e tão bem comportado quanto o The New York Times, o Le Monde e a Folha de São Paulo. Que chatice.

Mark é jornalista americano erradica em Búzios. Depois de escrever anos para a grande mídia americana agora se dedica a  escrever, quando tem vontade, para o Perú Molhado.

Quem semeou a Paz com a Guerra, Paz nunca terá…

Por Hamber Carvalho

10922246_10205199317478427_759882390_nO ataque a revista Charlie Hebdo já era previsto pelas próprias vitimas que optaram por uma linha editorial de desqualificar todo e qualquer credo religioso. Faziam do humor ferino religioso sua própria existência na mídia internacional.

Levantar a bandeira da liberdade de expressão neste momento é no mínimo querer fazer o jogo da mídia internacional que por obra e graças do capitalismo americano, tenta satanizar o Islamismo e as comunidades muçulmanas no próprio território francês, colocando-os num mesmo saco para justificar a inoperância em combater os radicais do Estado Islâmico, filho mal parido das investidas dos Estados Unidos no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Líbia e em outros países do Oriente Médio.

Os Estados Unidos e seus capachos na Europa que cunharam no inconsciente coletivo do planeta, através de uma politica de informação subliminar, a palavra terrorismo como sinônimo de Islamismo, está provando do próprio veneno, urdido durante décadas em sua tentativa de avançar no mundo árabe para colecionar conquistas territoriais e econômicas no controle da produção de energia no mundo.
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Os Jornais e os seus Donos – o Nosso Querido Marcelo Sobre Tudo

Por Mark Zussman

(Esta matéria foi escrita logo depois da morte do fundador deste jornal. Foi por nós congelada e a publicamos somente agora – para incentivar outras reflexões sobre a genialidade do nosso saudoso Marcelo.)

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Sempre tive um fraco por revistas e jornais (geralmente alternativos) que cobrissem nada mais do que nominalmente as suas áreas de interesse declaradas (política, cultura, moda, sexo, uma determinada cidade ou bairro) mas cujo verdadeiro foco incidisse sobre si mesmas, e essa preocupação de um veículo com seu próprio umbigo sempre era mais intensa, e portanto mais absolutamente fascinante, quando o dono de um desses veículos tinha uma personalidade extrovertida ou, melhor, exibicionista e não reconhecia limites entre ele mesmo e o veículo. No caso do Perú, a confusão do dono com o veículo e a preocupação do veículo com ele mesmo (ele o veículo e ele o dono) deve ter muito a ver com o fato de o Marcelo ser filho de psiquiatras ou psicanalistas, nunca soube exatamente qual. Parece-me provável que essa herança meio maldita esclareça muito.

Premiere of Howard Stern's "Private Parts"Antes de eu conhecer o Marcelo, o maior gênio no campo em questão, entre os vários que conheci ao longo de uma vida longa, era Al Goldstein, que, em 1968, tinha fundado um tablóide em Nova York chamado Screw, “screw” sendo em inglês, minha língua natal, não somente “parafuso” mas, como verbo e substantivo, também uma referência a uma forma agressiva do ato sexual. (”Screw you” = Foda-se ou Vá à merda.) Inicialmente, Screw era pouco mais do que um veículo para os anúncios classificados de trabalhadoras do sexo, mas aos poucos desenvolveu um conteúdo editorial às vezes brilhante e não somente sobre sexo. Os tarados liam mas também uma parte expressiva da intelectualidade nova-iorquina lia, homens e mulheres corajosas (não que os tarados e a intelectualidade sejam categorias mutuamente exclusivas). Até escritores influentes como Gore Vidal e Norman Mailer às vezes contribuíam com peças ou comentários ou pelo menos eram entrevistados – e feministas ferrenhas mas, ao mesmo tempo, hostis à hipocrisia, como Germaine Greer, também. Mas aos poucos Al, o fundador e o dono, surgiu não somente como a voz do jornal mas igualmente como substituto ou representante do leitor, e isso era a parte mais emocionante.
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Tesão

Por Fábio Emecê

untitledDispostos, atentos, diante do momento exato de boom, o bote. As vezes temos sorte. As vezes planejamos. As vezes acreditamos que vão fazer exatamente o que faríamos. E na verdade o trunfo, o trunfo, cumpadi, está em fazer exatamente o que estamos dispostos a fazer.

Não é tão agradável, talvez, porque temos mania de controle, mas se mal controlamos nosso destino, por que perder as poucas oportunidades que nos restam? Ah, egoísta, auto – suficiente e todas essas coisas faladas diante do fato de termos só um pouquinho de controle sobre nossos passos.

Os lábios enchem d`água, os quadris se mexem sozinho e as mãos deslizam, aaaah, deslizam e as palavras vem acentuadas com todo prazer apreendido no Mundo. Sedução, propensão, dilatação, tesão. Ui. Como é bom saber o momento do corpo ficar arrepiado diante do fato. O fato é: Tô fazendo!
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O Perú na telona

Da redação

Capa DVD divulgação
Sexta-feira, 19 de dezembro, será uma noite especial para o cinema mundial. Após 13 anos de trabalho, mais de 12 mil horas de gravação, outras tantas de edição e com a participação de muitos amigos do Perú, finalmente será exibido no Gran Cine Bardot, Uma História do Perú, filme do cineasta Milton Alencar Jr. O longa-metragem do maior e melhor jornal de Búzios, com quase 80 minutos, traz depoimentos de amigos e leitores do Perú nesses 33 anos de existência. O filme começou de maneira engraçada, como tudo no Perú Molhado. A ideia original era fazer um programa de TV (para passar na web e numa TV a cabo), usando a plataforma do jornal como base.
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Primeiras imagens feitas pelo satélite Cbers-4 são de Búzios

cbers_4O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou terça-feira (9) as primeiras imagens produzidas pelo satélite Cbers-4, desenvolvido em parceria brasileira com a China. O equipamento foi lançado ao espaço na madrugada do último domingo.

As imagens captadas são de Búzios – mas o material ainda é usado para fazer ajustes nos equipamentos. As fotos foram produzidas pela câmera MUX, que está acoplada ao Cbers-4 e é a primeira câmera para satélite inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil.

O equipamento registra imagens no azul, verde, vermelho e infravermelho, em faixas distintas, para uso em diferentes aplicações, como o monitoramento dos setores agrícolas, florestal e no controle do meio ambiente.
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