Abigail, uma alquimista na Rua das Pedras

In Búzios, Slider por Eva LartigueDeixe um comentário

 A galeria é a sua casa. Sua casa é a galeria 

Há mais de 20 anos em Búzios Abigail Vasthi Schelmm é uma das artistas plásticas (é também poeta) que enchem a cidade de orgulho. Apesar de sua aparência aristocrata, ela diz que tem uma origem humilde. Conta que as dificuldades a fizeram FIRME E FORTE.

Suas telas de cores vibrantes mesclam realidade e ilusão. Sua Galeria se chama, “Se Essa Rua Fosse Minha …” e agora funciona na sua própria casa, na Rua das Pedras 265.

Em uma noite um pouco fria de inverno em Búzios, Abigail recebeu o Perú, sentada em sua cadeira de balanço, com um livro nas mãos e descalça.


Por que você decidiu passar a expor sua obra aqui em sua própria casa?

Essa é uma ideia que me veio a partir de uma visita a casa do Monet em Giverní. Achei muito interessante ver a casa onde ele morava, como ele vivia, como ele gostava das coisas. As minhas coisas não são arrumadinhas como as dele porque eu não sou arrumadinha, sou bagunceira.  Eu também visitei a casa da Frida Kahlo. Gosto muito do México. Ela e o marido dela tinham duas casinhas que se comunicavam. As coisas foram mantidas mais ou menos como eram. Tudo isso me levou a pensar: se eu, tendo uma casa na Rua das Pedras, ponto comercial, posso também receber meus amigos, meus clientes e visitantes na minha casa. Por que não? É muito mais confortável e prazeroso para mim. As pessoas gostam de vir aqui, de sentir essa intimidade, de estar na casa, acham aconchegante, gostam da música, da energia, tudo …


Geralmente quando vamos á algum lugar as pessoas ficam em volta querendo empurrar as coisas na gente. Não conseguimos apreciar as obras. Aqui não é assim. Isso é bom, né?

A minha principal atividade aqui em  Búzios é a leitura. Aqui não corro atrás de  ninguém. Eu nem saio da minha cadeira de balanço: As pessoas entram e eu deixo elas descobrirem as coisas naturalmente.


Se você fosse uma cliente o que veria mais aqui na sua casa?

Se eu fosse a visitante eu iria olhar os quadros, não me preocuparia muito com a casa, eu acho.


Essa coisa do cuidado da casa me lembra a casa da Renata Deschamps. Conhece a casa da Renata?

Sou muito amiga da Renata, a casa dela é um museu. Ela própria é um ícone. Ela cuida daquela casa com devoção. Isso eu admiro.  Todos em Búzios deveriam de ser assim. Eu não quis alugar a minha antiga casa para um grupo que iria mudar sua fachada. Era uma grife famosa. Fico horrorizada quando as pessoas não respeitam a história de uma casa, como aconteceu no Solar do Peixe Vivo.

Minha galeria se chama “ Se Essa Rua Fosse Minha…” e isto é uma declaração de amor a Rua das Pedras. Quem vem á Búzios e não vem a Rua das Pedras não veio á Búzios.  Não pode dizer que visitou Búzios. A Rua das Pedras é um patrimônio que não podemos abandonar. Aquilo que estão fazendo na Casa da Brigitta é uma monstruosidade. Tentaram fazer isso aqui, ao lado. Eu briguei muito, na época, contra o Guapo Louco (restaurante mexicano que ficava na Rua das Pedras). Finalmente a minha filha Sylvia (arquiteta), desconstruiu o monstro. Foi ela que fez a reforma e derrubou o Guapo Louco.


Búzios é muito importante pra você, não é mesmo?

Eu tenho por Búzios muito amor além de gratidão. Foi aqui que fiz a maior parte de toda a minha carreira. A partir daqui fiz exposições em Nova York, em Washington, duas na Argentina, na Alemanha, na Suiça. Tudo isso foi devido a magia dessa cidade.

Aqui na Rua das Pedras “passa boi e passa boiada”. Assim como passa gente que nem olha para os quadros, também passa gente que tem percepção, um olho acurado que percebe que aqui tem qualidade.

Eu não quero sair daqui, é um principio. Estou aqui, amo essa cidade, vivo e trabalho aqui e aqui quero morrer.

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