André, você quer um beijo? Entrevista bomba com Nani Mancini

In Búzios, Política por Eva LartigueDeixe um comentário

DSC05492Da redação

O empresário Nani Mancini recebeu uma notificação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Pesca para apresentar a licença ambiental do prédio onde hoje funciona a boate Pacha, na Rua das Pedras, no prazo de três dias. O que acontece é que Nani, segundo ele mesmo, não é proprietário do prédio em questão. O empresário naturalizado brasileiro conta que antes disso foi intimado pela justiça de Búzios a uma audiência de conciliação com o prefeito André Granado. Confiram a entrevista que o Perú fez com ele.

Antes de falarmos da notificação gostaríamos de perguntar sobre do que se trata o processo que o prefeito André está movendo contra você, tudo bem?
Sim. Tivemos uma audiência de conciliação na qual aceitei um acordo diante da acusação que ele, André, me fez. Ele me acusa, tendo apenas um empreiteiro da prefeitura como testemunha, de ter afirmado que o contrato do lixo é uma roubalheira e que o bairro de Cem Braças alagou porque ele não pagou a conta de luz que mantém as bombas de sucção de lá funcionando. Eu nunca disse isso, então aceitei o acordo proposto pelo juiz Gustavo Arruda de que eu deveria publicar esse esclarecimento em jornal. Disse ao juiz que aceitava e que iria publicar no Perú Molhado, mas o prefeito disse que tenho influência no jornal. Então disse a ele que escolhesse o jornal, e ele não quis escolher. Disse a ele ‘o Globo está bom?’ Ele disse que sim, mas fez uma ressalva, que teria de haver uma multa caso eu não cumprisse o acordo. Eu concordei de novo, afinal não tenho tempo a perder, já estou com 60 anos e estava na frente de um juiz, acho que ele como prefeito também não deve ter tempo a perder. O juiz fixou a multa em R$5 mil, sabe o que o André disse? ‘Isso não paga nem a minha viagem para Miami!’. Disse isso na frente do juiz. Mesmo diante de uma afirmação leviana como essa, eu me mantive quieto, não repliquei.

E que desfecho teve isso?
Eu cumpri o acordo, o esclarecimento foi publicado no O Globo e não foi barato $$$$$$$. É importante ressaltar que não se trata de uma retratação, mas um esclarecimento e que diante do juiz eu disse que aceitava o acordo, mas que queria expor minha situação neste país e nesta cidade. Sou empresário, moro em Búzios há 25 anos, sou cidadão buziano e cidadão carioca, recebi esses títulos. Mas acima de tudo sou cidadão brasileiro, tenho passaporte brasileiro. Fui ex-presidente da Associação Comercial de Búzios (ACB), ex-secretário de governo, recebi título de empresário do ano, fui candidato a vereador e serei de novo, e faço oposição declarada ao prefeito. Sou membro do PT do B, do vereador Gugu de Nair, presidente do partido. Acho que mereço respeito, já escrevi diversas matérias para os jornais locais falando abertamente o que penso e nunca recebi notificações por elas, não participo de conversas de bêbados em bar, por isso não tive problema em expor no Globo, repito que custou muito caro, que nunca disse o que o contrato do lixo é uma roubalheira e que a Cem Braças alagou porque o André não pagou a conta de luz, como o empreiteiro afirma que eu teria dito.

E do que exatamente se trata a notificação que você recebeu recentemente?
Apresentar a licença ambiental do prédio nº 151 na Rua das Pedras, construído em 1991. Eu não sou dono desse prédio, onde está à boate Pacha, que eles estão me notificando. Não sou dono do prédio da Pacha e nunca fui. Estão me cassando na rua para me notificar de algo que não é meu. Há 21 anos que existe esse prédio comercial com habite-se e alvará. Estou vendo que por ser oposição estou sofrendo, me parece, uma perseguição política.

Por que estaria sofrendo perseguição política?
Quando fui secretário de governo, na mesma época que André, apoiei o prefeito Toninho Branco a mandar essas pessoas embora: Kleber, Jurandir, Henrique DJ, Natalino e outros, que estão de volta, direta e indiretamente, no comando da gestão atual da prefeitura.
Quando fui secretário de governo eu não quis me aliar a ele, por isso estou sendo perseguido, querem se vingar de mim. Uma das discordâncias com André, quando ele era secretário, foi com a ONEP, disse pra ele que teria de fechá-la, era uma ONG que fazia tudo na área da saúde e eu era contra. Na prefeitura de Magé, a Polícia Federal prendeu todo mundo que tinha ligação com esta ONG na época. Sobre a retirada dos vasos e as ameaças dos fiscais contra meu filho, é bom lembrar que fizemos uma ocorrência na delegacia da cidade com o apoio do Dr. Marcelo Villas. O processo ainda será julgado. Estou preocupado, não tenho a menor ideia do que se passa na cabeça deles. Repito que estou há 25 anos nessa cidade, sou brasileiro. Nos últimos 10 anos não tenho recebido uma notificação e agora está chovendo notificações. Estou vivendo sobre pressão.

Teme pela sua integridade física?
Está começando a ficar preocupante. Sou refém. Mas agora chega. Quero expor à comunidade a perseguição da qual estou sendo vitima.

Isso abala sua permanência na cidade?
Vivo e quero morrer aqui. Essa é minha cidade, contribuo há 25 anos para o crescimento dela. Basta, não vão me calar.
Como diz Tostoi: “Às vezes não queremos guerra, mas a guerra nos quer”.

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