Búzios, um emissário submarino seria a solução?

In Búzios, Política, Rio das Ostras, Saúde por Eva LartigueDeixe um comentário

Rio-das-OstrasPor Victor Viana

Emissários são sistemas destinados a lançar os esgotos sanitários no meio marinho, visando aproveitar a grande capacidade de depuração do oceano, em função de seu enorme volume de água. São cerca de 20 emissários submarinos em todo o Brasil e entre os mais conhecidos estão os de Santos, com mais de 4 quilômetros, o histórico emissário da Praia de Ipanema (RJ) e na nossa região, o emissário de Rio das Ostras.

Como funciona – Após a coleta, o esgoto é encaminhado para estações de pré-condicionamento (EPC) onde passam por um processo chamado “gradeamento”, também peneiramento para remoção dos sólidos e por cloração, sendo encaminhado através de tubulações para ser lançado no mar pelos difusores.

Onde podem ser construídos – Geralmente são instalado mais distante da costa e o mais profundo possível, em áreas abertas, onde a circulação oceânica é facilitada. Mas como cada região tem características próprias, o comprimento e a profundidade dos emissários submarinos variam muito. O de Ilhabela (SP), por exemplo, tem apenas 250 metros de comprimento.

Opinião

“Sou totalmente contra a construção de um emissário submarino em Búzios. Não é a melhor solução para cidades como a nossa, é para cidades de médio e grande porte. Realizar isso aqui em nosso município é querer varrer o lixo para debaixo do tapete. Com isso também iremos verticalizar a cidade. Construindo um emissário já estamos dando suporte para que se possam requerer a construção de prédios no município. Seria o fim do mundo.
Outra coisa importante é que não produzimos água, em poucos anos haverá um colapso de água em nossa região, e com isso é imprescindível que tenhamos uma Estação de Tratamento para Água de Reuso que poderemos usar em rega; lavar roupas, carros, para uso em obras etc. Com o emissário estaremos jogando o esgoto tratado no mar ao invés de reaproveita-lo.
Sobre o caso de Rio das Ostras eu licenciei a Estação e o Emissário quando fui gerente da Feema. Lá há muito mais habitantes e o município tem outra proposta diferente da nossa, lá tem prédios por exemplo, e o cenário é diferente do nosso também. E ainda assim Rio das Ostras tem uma Estação de tratamento excelente.
Sei que no momento a nossa situação está calamitosa, mas acredito que podemos resolver. Somos apenas 30 mil habitantes e uma das melhores cidades do Brasil. O problema só precisa ser encarado de frente. Precisamos tratar todo o nosso esgoto em nível quaternário e não desperdiçar isso jogando-o no mar”.
Muniz – Vice-prefeito e secretário de meio ambiente de Búzios

O Emissário é uma alternativa para o destino final do esgoto tratado. Mas existem outras. Essa foi a que Rio das Ostras escolheu; instalação de redes coletoras, estação de tratamento e emissário terrestre e submarino. Esse sistema garantiu a cidade o tratamento e a retirada de 500 litros de esgoto por segundo. É uma das alternativas que existem, Rio das Ostras, repito, optou por essa.
Somos 120 mil habitantes, esse projeto do esgoto foi concebido em 2002 e tem uma projeção de vida útil de 20 anos com uma capacidade para atender uma população de 300 mil pessoas. Até essa quantidade de habitantes é suficiente a estrutura que temos hoje. Não deve acontecer acidentes nos emissários mas infelizmente aconteceu um esse ano que foi concertado no outro dia. O que escapou foi esgoto tratado, porque o que o emissário envia para o mar é o esgoto que é recolhido e tratado na estação e lançado á 3832 metros da praia há uma profundidade de 20 metros.
É importante informar que as obras desse sistema de saneamento, que inclui o emissário terrestre e submarino, começou em 2005 e em 2007 passou a funcionar. Mas não é só o emissário, veja que de 2005 á 2008 a cidade implantou 220 quilômetros de redes coletora e com isso 40% da população de Rio das Ostras tem esgoto tratado dessa forma. Estamos entre o municípios que mais investe em saneamento no estado do Rio.
Um emissário é uma obra de grande porte e no histórico brasileiro não há coisas assim em cidades pequenas. Para Rio das Ostras, que é maior que Búzios em território e em habitantes, já foi uma obra de grande porte. Não posso opinar sobre Búzios com propriedade por não morar nem atuar lá, mas isso depende de uma decisão da sociedade, e também política, que precisa estar ancorada no estudo da realidade e as alternativas disponíveis e compatíveis com a mesma.
Aladin Mendes – Coordenador de Saneamento do Município

Sou a favor sim. O emissário é uma solução universal que poderá beneficiar a Região dos Lagos. No fundo todas as cidades da região se comunicam e não há uma solução mais abrangente e que não seja muito cara a não ser um Terminal Oceânico para toda a região. Não adianta olhar só para si, os canais se comunicam. Penso que o esgoto tratado ao nível de água de reuso é uma das soluções, mas sozinha não resolve o problema. Até porque nenhuma dessas medidas, com exceção do emissário, atende as necessidades em longo prazo, nem em épocas de pico e de chuva. Na Barra da Tijuca ampliaram o terminal e melhorou muito. No Rio há dois terminais que atendem a Zona Sul inteira.
Na Região dos Lagos os municípios são muito próximos, só o terminal marítimo pode salvar Búzios de ser poluído pelo esgoto de outras cidades, como está acontecendo no caso dos afluentes do Rio Una. Até porque o que temos hoje na Região dos Lagos nem podemos chamar de Estação de Tratamento, de tão precárias.
José Leão – Empresário

Emissário Submarino Rio das Ostras

Por Victor Viana

Construído em 2005 e desde 2007 administrado, em uma Parceria Pública Privada, pela empresa Foz do Brasil, do grupo Odebrecht – que é responsável pela operação integral do sistema de esgoto deste município – o emissário terrestre e submarino de Rio das Ostras é o mais próximo de Búzios. A implantação deste sistema de esgotamento sanitário neste município foi realizada com o objetivo de suspender o lançamento de esgotos nos rios, lagoas, mar e no solo.

A estrutura – A cidade é bastante plana e situada no nível do mar, por isso, segundo informações oficiais, foram adotadas estações elevatórias com sistema de tubo cravado nas tubulações dos coletores tronco. O emissário terrestre tem como função canalizar o esgoto tratado por pressão desde a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) até o píer, onde inicia o emissário submarino.

O emissário submarino foi feito com igual processo de alta tecnologia objetivando a não produzir resíduos que possam de alguma forma contaminar o meio ambiente. No entanto no dia 19 de setembro deste ano houve um vazamento de esgoto no emissário, segundo a empresa responsável, causadas por uma brecha em uma braçadeira de respiro. A Foz do Brasil, conforme prevê o contrato de concessão, deve lançar o esgoto tratado a uma distância de 3.882 metros do emissário, à profundidade de 20 metros. A equipe técnica do município constatou o vazamento a cerca de 100 metros de distância do emissário, que foi concertado no dia seguinte.

A implantação do píer na praia da Costa Azul, uma das mais belas e frequentadas da cidade, garantem a transformação da tubulação do emissário além da zona de arrebentação, em ponto turístico. O píer foi construído utilizando-se o método “cantitraveller”, que busca interferir o mínimo possível no meio ambiente.

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