Cabofriense na onda do Carioca

In Brasil, Cabo Frio, Esportes por Eva LartigueDeixe um comentário

cabofriensePor Janir Júnior

Como foi triste e esvaziado o Campeonato Carioca, ó pá. Reclamou o português da padaria, mesmo com o seu Vasco na decisão com o Flamengo. Depois, o gajo desancou Rubinho, presida da Federação do Rio. Mas, como não tem nada a ver com a justa chiadeira do bigode lusitano, a Cabofriense beliscou sua vaga na semifinal. Mais uma vez, um “nanico” se enfiou entre os “grandes”. Foi a vez do time da Região dos Lagos. A Cabofriense caiu diante do Rubro-Negro da Gávea. Mas caiu com orgulho em dia, diria o português da padaria.

No segundo jogo da semifinal com o Flamengo, uma faixa exibida pelos jogadores da Cabofriense não fugia do tom político, mas também parecia um recado que gostariam de dar: “A maior vitória é o reconhecimento. Cabo Frio, obrigado pelo carinho”.

Deram o recado. A Cabofriense merece, sim, ter seu trabalho e esforço reconhecidos. As dificuldades são muitas, mas a equipe encaixou. Não acompanho de perto, mas o presidente, Valdemir Mendes, parece ter feito o dever de casa. O técnico, Alexandre Barroso, usa um português rebuscado, nem sempre o boleiro entende, mas simplificou, em entrevista ao GloboEsporte.com:

– Eu acho que treinador tem que ser um líder como projeto, tem que ter a capacidade de liderar o grupo, fazê-los enxergar o destino e fazer com que todos caminhem motivados em direção a ele. Acho que esse é o segredo.

Foi, sim, um dos segredos da Cabofriense. Seguir motivado em busca da vaga. O time teve altos e baixos, mas na boa fase somou pontos e encaminhou a classificação. Conseguiu sete vitórias em 10 jogos, venceu Botafogo e Vasco no meio do caminho, mas chegou à semifinal baqueado em meio a alguns tropeços. Mas lá estava diante do Flamengo.

O projeto começou a ser montado em dezembro com a chegada do treinador. Quando não se nada em rios de dinheiro para grandes investimentos, é preciso trabalho e tempo. Um elenco dentro das possibilidades financeiras, uma aposta no veterano Fabrício Carvalho, que deixou seus golzinhos, tocou seu violão (ele é cantor evangélico e já gravou dois discos) e ajudou a afinar a equipe. Ainda esse ano, a Cabofriense tem Copa Rio e a Série D do Brasileiro.

Essa é a principal obsessão do clube em 2014. O Brasileirão. Subir para à 2ª Divisão nos próximos anos. O caminho é longo. É preciso muito mais dinheiro do que o valor que entra na conta do clube atualmente. Reforçar. Não somente querer subir, mas sim se estruturar para quando chegar lá em cima e não cair.

É uma leia básica, no campo ou na avenida do Carnaval carioca: subir pode até ser fácil, difícil é se manter. Mas subir nunca é fácil. E estar na Série D deve ser motivo de orgulho, sim. Mas sem deixar de enxergar que nas entranhas do futebol brasileiro tem muita merda pela frente.

Observando de perto – com o tom do olho claro, mas por muitas vezes cansado da jornada política – está Alair Correa, prefeito de Cabo Frio, torcedor de coração do Flamengo e de devoção da Cabofriense. O estádio leva seu nome.

Alair torce. E retorce. E ajuda a Cabofriense. A classificação para a semifinal com o Flamengo rendeu ao elenco R$ 50 mil para ser repartido. A premiação foi custeada por empresários e foi angariada com intermediação do prefeito.

Alair lamentou um grande golpe durante esse Carioca. Depois de um investimento de R$ 600 mil em obras, o estádio Correão não teve autorização para aumentar a capacidade de público. O time teve que jogar em Macaé. Muito mais do que a perda técnica, a questão financeira sofreu um abalo.

O Carioca segue para o fim. Depois de derrotas por 3 a 0 e 3 a 1, a Cabofriense ficou pelo meio do caminho. O time, porém, segue em busca de seus objetivos depois de tirar uma onda no Carioca. O mar é revolto. Mas quem é da Região dos Lagos sabe que quem é do mar não enjoa.

Polêmica na primeira página – A semana que antecedeu o primeiro jogo da final do Carioca entre Flamengo e Vasco começou com polêmica. Na segunda-feira, depois de o Cruz-Maltino despachar o Flu (1 a 0), o jornal carioca “Extra” colocou na sua primeira página uma foto de um lance do vascaíno Edmilson e a pergunta “Pintou o vice?”. O jornal levou para suas páginas uma gozação de rede social usada entre torcedores rivais. A cagada estava impressa. Os torcedores ficaram furiosos, o presidente Roberto Dinamite pulou nas tamancas portuguesas e, no dia seguinte, o jornal tentou limpar a barra. Mas piorou. Um gaiato disse que, caso o Flamengo seja campeão, o jornal vai estampar na primeirona: “eu já sabia”.

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