Educação em Búzios: tá bom, mas pode e deve melhorar

In Brasil, Búzios, Educação por Eva LartigueDeixe um comentário

IMG-20140906-WA0005Por Luisa Barbosa*

Nas primeiras semanas do mês de setembro o noticiário concentrou-se no tema educacional, em virtude da divulgação dos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os números serviram de munição para a pauta política eleitoral e os presidenciáveis, com experiência de gestão ou quase, foram confrontados com dados de suas possíveis esferas de responsabilidade: Dilma, com os dados nacionais; Aécio, com os de Minas; e Marina, com os de Pernambuco, estado onde o candidato Eduardo Campos foi governador por dois mandatos.

O índice preocupa. Mostra que apesar do significativo aumento no investimento por aluno de ensino médio, que passou de R$ 1.348 em 2005 para R$ 4.212 em 2011, e do aumento real de 57% da média salarial do professor (dados da Pnad e do Inep), pela primeira vez desde 2005 não foi registrado avanço na média final. Continuamos com o índice de 3.7, numa escala de zero a dez.

O dado interessante é que o país chegou a avançar nos últimos anos do ensino fundamental, seguindo uma crescente significativa. Passamos de 3.5 em 2005 para 4.2 em 2013. Já no ensino médio, de 3.1 em 2005 para 3,4 em 2013, mesma média de 2009 e de 2011. Andamos rápido nos índices do ensino fundamental, nos arrastamos no ensino médio e estamos longe de correr em ambos, apesar da necessidade.

Búzios seguiu o mesmo padrão, de melhoria mais significativa nos primeiros anos do ensino fundamental do que nos últimos: avançou de 3.9 (em 2005) para 5.5 (em 2013) nas notas do 5o ano do ensino fundamental, e de 3.1 para 4.3 nas notas do 9o ano do fundamental, neste período. A média foi uma das melhores registradas na Região dos Lagos, ficando muito a frente de Cabo Frio tanto nos anos iniciais (4.7) quanto nos anos finais (3.6). Já em comparação com Rio das Ostras, Búzios supera a cidade nos anos finais (4.1) mas é superada nos anos iniciais do ensino fundamental (5.7). Passamos ainda do 53o lugar no Ideb (em 2011) para 15o (em 2013) nos anos iniciais e de 41o para 35o nos anos finais, seguindo a melhora visualizada também no Estado do Rio de Janeiro, que passou 15o em 2011 para 4o em 2013, no ranking do Ideb no ensino médio da rede estadual. Os estados mais bem posicionados neste ranking são Goiás (com média de 3,8), São Paulo e Rio Grande do Sul, ambos com 3.7. O Rio de Janeiro alcançou 3,6.

A escola mais bem pontuada da cidade foi a E. M. Vereador Antônio Alípio da Silva, que alcançou 5.7, ainda que a média tenha sido mais baixa do que no ano de 2011, quando chegou a 6.1. A pontuação mais baixa ficou com a E.M. Prof. Ciléa Maria Barreto, que caiu de 4.5 em 2011 para 4.0 em 2013. A Alípio atende estudantes de 1a a 5a série, primeiro segmento do ensino fundamental. Já a Escola Ciléa Barreto, de 6a a 9a, segundo segmento.

A estagnação nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio é sentida em todo país. Segundo o ministro da Educação, Henrique Paim, em declaração para o jornal o GLOBO, o grau de progresso no primeiro ciclo do ensino fundamental não chegou com a força esperada nos anos finais e menos ainda no ensino médio. Segundo o ministro: – Não é nem consenso, é unanimidade: nós precisamos rever o ensino médio.

O que faz o país (e Búzios) avançar mais no ensino fundamental do que no ensino médio e as razões por termos tão baixos índices de aproveitamento na educação da população jovem são as questões que nos desafiam hoje. As respostas estão longe de possuírem uma única causa. Mais distantes ainda de comporem um consenso. Entretanto, salta aos olhos de qualquer cidadão comum que se preocupe em observar um pouquinho a educação brasileira a incompatibilidade entre aluno, professor e escola. A frase já dita, de que possuímos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um estudante do século XXI, por mais óbvia que possa parecer, merece ser repetida e repetida como mantra. Até que a realidade mude e que possamos envolver o aluno nessa aventura fascinante que é o ato de conhecer. Continuaremos neste tema.

* Luisa é cientista social, doutora em sociologia (UFRJ) e professora de sociologia e filosofia da rede pública de ensino.

Fonte: Blog Iniciativa Popular Búzios

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