Era só o que faltava

In Búzios, Saúde por Eva LartigueDeixe um comentário

content_1869-Manipulator-um-dos-primeiros-vibradores-do-mundo-uma-estranha-maquina-criada-pelo-medico-americano-George-TaylorPor Sandro Peixoto

Tudo começou com a invenção do bidê. A pequena peça de louça criada na França no final do século XVII foi a primeira concorrente dos homens em se tratando de dar prazer as mulheres- que na época eram proibidas de demonstrar o gozo. Sabe-se (não sei exatamente como se sabe) que as mulheres já se masturbavam 4 mil anos antes de Cristo. Os homens começaram antes lógico. E certamente aprenderam com os macacos. Uma estátua encontrada na Ilha de Malta datada de mais de 5 mil A.C mostra um homem se divertindo sozinho com o pênis numa das mãos. Em quem pensava jamais saberemos. Estamos falando de uma época em que éramos muito menos civilizados que hoje e o sexo era uma coisa mais animal.

Sei que antes do Bidê já existiam apetrechos que ajudavam homens e mulheres na busca do prazer sexual. O primeiro vibrador feminino conhecido era usado de maneira terapêutica e movido a vapor (?????). Durante o século XIX, a ansiedade, a irritabilidade e a insônia eram reclamações frequentes de mulheres em consultórios psiquiátricos. Entre os médicos, o diagnóstico mais comum era de histeria, uma doença psíquica. Para curar a enfermidade, era preciso acalmar o ânimo da mulherada. O primeiro conselho dado às casadas era animar a relação com o marido, pedindo que ele fizesse carinho na sua vagina… Com as mãos! Se não desse certo, o tratamento às casadas era o mesmo oferecido às solteiras: massagem vulvar. Feita pelo próprio médico.

Com as mãos, o médico safadinho massageava o clitóris da paciente até ela atingir o orgasmo e ficar mais calma. Era um procedimento comum e profissional. Difícil não imaginar besteira, né? Mas os doutores juravam que não tinha nada de sexual nisso. Era como o exame de próstata realizado hoje nos homens: enfia-se o dedo, mas sem segundas intenções.O problema é que algumas mulheres necessitavam de massagens que duravam horas. E os médicos ficavam com os dedos “ocupados” o dia todo. Se você conhece alguma mulher histérica pode ter certeza. É falta de massagem no clitóris…

Para aliviar as mãos desses profissionais e as dos maridos, em 1869 o médico norte-americano George Taylor patenteou o primeiro vibrador e o batizou de The manipulator. Nada de pilha, bateria ou eletricidade: o primeiro vibrador era movido a vapor. Alguns anos depois, em 1880, apareceu o vibrador movido a manivela, inventado pelo inglês Joseph Mortimer Granville.

O primeiro vibrador elétrico só começou a ser comercializado no século XX, em 1902, pela empresa norte-americana Hamilton Beach, especializada em equipamentos de cozinha. Enfim, o remédio para curar a histeria feminina poderia ser levado para dentro dos lares. Mesmo tendo se tornado um objeto doméstico, até os anos 1920, os vibradores não eram brinquedos sexuais. A publicidade da época, inclusive, anunciava as várias utilidades do produto – e nenhuma delas era erótica. Mas nos anos seguintes, os vibradores começaram a ser utilizados em filmes pornográficos e a sua imagem ganhou uma conotação sexual. Aos poucos, os brinquedos foram sendo proibidos pelos maridos e as propagandas em revistas e jornais começaram a desaparecer. O remédio virou fetiche.

Com a invenção da clonagem, os machos perderam sua importância para a fecundação. Agora, basta um pedacinho da orelha delas, um pouco de tecnologia para separar o núcleo de célula e a membrana de um óvulo e pronto. Basta colocar o embrião numa barriga de aluguel que o filho nasce. Aos poucos, os homens foram perdendo importância e passaram a ser necessários apenas, para pagar as contas da casa. As mulheres, no entanto, quebraram mais essa barreira e hoje são responsáveis financeiramente pela maioria das casas. Elas conseguiram liberdade sexual, reprodutiva e financeira. Se não servirmos para pagar as contas, dar prazer e embarrigar as mulheres, então, não servirmos para mais nada.
Para piorar nossa situação, uma empresa americana inventou um dispositivo que provoca orgasmo nas mulheres. Trata-se de um dispositivo eletrônico que se implantado na região das nádegas, libera na hora em que a dona quiser, apenas apertando o botão do controle remoto um pequeno choque elétrico que gera a sensação de gozo. Estando a mesma em companhia ou não. Se usado com um vibrador então, é tiro e queda.

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