Futuro do Rio entre o pé e a fé

In Noticias, Política, Rio de Janeiro por Eva LartigueDeixe um comentário

Por Janir Júnior

Luiz-Fernando-Pezao-Marcelo-Crivella-copyPor um bom tempo, Garotinho liderou as pesquisas (que erraram bem no primeiro turno) para o Governo do Rio. Mas foi atropelado e ficou fora da disputa do segundo turno entre Pezão (PMDB) e Crivella (PRB), no dia 26 de outubro. Entre dúvidas, certezas e alianças, o eleitor fluminense terá uma difícil escolha pela frente, daquela do tipo “vamos votar no menos pior”.

Dilma Roussef já declarou que não apoiará nem um, nem outro. O nobre Garotinho se colocou ao lado de Crivella. Quem defende o voto em Crivella alega que derrotar Pezão é tirar das mãos do PMDB a máquina do governo que, daqui a dois anos, poderia ser usada a favor do candidato do prefeito Eduardo Paes na eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro. Lembram ainda o “Fora Cabral” entoado em diversas manifestações. O ex-governador, inclusive, apareceu o mínimo possível na campanha do pé grande.

Quem defende o voto em Pezão acredita na continuidade do investimento em UPP’s e afins, e ataca Crivella por conta de suas convicções religiosas, o apoio da máquina da Igreja Universal na candidatura e muito pela recente aliança com Garotinho.

Na última quarta-feira (8), Pezão e Crivella fizeram o primeiro debate do segundo turno promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pela Universidade Estácio e pela revista Veja. Além de debater programas e os próximos anos do governo do Estado, os candidatos trocaram farpas, críticas e falaram mais de passado – cada um sob sua ótica – do que de futuro.

Pezão fez questão de destacar a ligação de Crivella com a Igreja Universal do Reino de Deus, usando repetidas vezes o termo “bispo licenciado da Universal”. E aproveitou para reforçar sempre que possível a rejeição a Anthony Garotinho, o associando a Crivella.

Já Crivella, que tem uma oratória envolvente, manteve o tom agressivo do fim do primeiro turno. Ele fez duras críticas a Sérgio Cabral, com referências ao episódio dos guardanapos em Paris e ironias com o estilo simples de Pezão.

“Pé do Pezão cresceu porque ele é o pé-nóquio”, disparou Crivella. Pezão respondeu chamando o adversário de “Crivellinho” (referência a Garotinho), e deu destaque à questão religiosa. “Em 12 anos de minha carreira politica, não misturei política com religião”, rebateu Crivella, que emendou: “Vamos fazer um governo honesto e capaz, não vão me ver de guardanapo em Paris e também não vou fazer greve de fome”, disse, referindo-se a Cabral.  “Eu quero ser governador para governar todos, sem nenhuma discriminação racial, social, nenhuma intolerância”, exaltou Pezão.

Um amigo fez uma análise: “Há quem prefira anular o voto neste segundo turno. Numa disputa entre dois, anular o voto é, na prática, ajudar a eleger aquele que larga na frente”.

Mas se o eleitor não está contente com nenhum candidato, tem o direito de anular. É uma escolha legítima como qualquer outra.

Cada um com seu cada um. Só não vamos desistir do Rio, mesmo que tenhamos que ir de pé ou na fé.

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