Mercúrio, um inimigo silencioso

In Búzios, Slider por Eva LartigueDeixe um comentário

Nós do Perú estamos muito preocupados agora com a questão do mercúrio. Inclusive eu vou a Minamata, no Japão participar de uma convenção da ONU onde se discutirá a erradicação do mercúrio, que considero que seja como a diabetes, que nos mata de forma silenciosa. Inclusive estamos fazendo um jornal todo em japonês para levar a convenção.  O que acha disso em relação ao Brasil?

Que maravilha isso, um jornal todo em Japonês. Primeiro eu preciso dizer que acho que você é o melhor jornalista da Região dos Lagos.


Você não está maluca?

E eu não tô maluca, eu tô muita lúcida. Eu disse isso hoje para várias pessoas. É incrível, você tempera com muito humor os assuntos e tudo com uma grande sabedoria jornalística. É uma pessoa muito especial você, Marcelo. É verdade, é verdade.


Obrigado, obrigado mesmo.  Mas eu conversei com alguns especialistas se não deveríamos tocar em outros problemas como o esgoto e os agrotóxicos e eles me disseram que tem de focar no mercúrio para que a campanha tenha êxito.  É isso mesmo?

O mercúrio é a bola da vez. A humanidade avança a cada passo, os avanços são microscópios. Que os alimentos que comemos estão todos envenenados, nós já sabemos. Inclusive existe a lista dos 10 mais.  Mas realmente você está certo Marcelo, o mercúrio é um inimigo silencioso.


O Dr. Faissol me falava sobre a amálgama que contém mercúrio e é usada para obturação dentária. Parece que se só de tirar isso e as pessoas já saram, não é mesmo?

O amálgama hoje é o maior indicador de exclusão social que pode ter. O mercúrio é uma coisa desse tipo. As pessoas que tem um renda melhor vão a dentistas que não usam mais o amálgama. Mas quem usa o SUS, serviços mais populares, e nas próprias universidades os dentistas continuam aprendendo que o amálgama ainda é a solução ao menos aos que não tem proteção social.


O melhor seria prevenir?

O Dr. Faissol é um ambientalista de carteirinha.  O principio básico do ambientalismo é a prevenção. O dente se tratado adequadamente não tem cárie. Você vê na Idade Média, as pessoas todas tinham buracos enormes nos dentes e tinham de tirar o dente porque não existia tratamento.  A grande injustiça social é tratar com amálgama a pessoa mais pobre e desprotegida e tratar sem isso os mais ricos. Isso é injustiça.  Mas para acabar com isso é preciso ter uma tecnologia. Eu quando criança eu brincava com mercúrio. Quando o termômetro quebrava eu achava lindo aquele líquido se dividindo. Mas é um veneno.


A Álcalis usou muito mercúrio no fundo do mar e esse mercúrio ainda está lá. O peixe que vai mais fundo é o linguado e ele fica bastante contaminado de mercúrio.  Isso é um mal irreparável?

E veja bem que o linguado é um dos peixes mais caros.  A contaminação por mercúrio é algo muito sério. Mas é esse risco que corremos em relação aos alimentos. Veja a questão do agrotóxico, cenoura, couve, alface, melão, pimentão, morango e outros estão entre os 10 alimentos mais perigosos. É uma verdadeira calamidade. Como se livrar disso? É preciso uma campanha contra o agrotóxico como está tendo agora contra o mercúrio. Porque essa campanha foi abraçada pela ONU, e quando isso acontece há um investimento mundial contra o problema.


Como eu já disse eu vou a Minamata, no Japão, participar de uma conferência da ONU sobre o mercúrio. O que acha?

Eu acho interessante, é perto de Minamata, a cidade é uma outra. O nome é em homenagem as vítimas de Minamata. Foram problemas terríveis que a população teve lá, degenerescências neurológicas graves. É uma grande campanha contra o mercúrio e isso é bom. Podemos erradicar o mercúrio.  Já temos, por exemplo, o termômetro digital  podendo parar de comercializar o termômetro com mercúrio. É preciso ter coragem. Temos que ter uma forma de devolver o produto contaminado a quem me vendeu. Essa é a teoria da logística reversa.


Essa é uma iniciativa pioneira do povo japonês. Por que você acha que os japoneses são mais rápidos nessas questões?

O japonês é obsecado. Agora com esse vazamento nuclear em dois anos eles puseram tudo de pé. Combateram os indícios das coisas. Aqui estamos com a Região Serrana com problemas infinitamente menores e não conseguimos resolver nada. Temos uma diferença entre japoneses e brasileiros, é que eles resolvem. É por isso que os jovens estão nas ruas. Essa juventude está vendo que não tem solução para os problemas. As melhorias são tímidas.

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