Moral, ética e religião

In Noticias por Eva LartigueDeixe um comentário

Por Sandro Peixoto

Dubia VidaTenho um grande amigo, uma pessoa que aprendi a conhecer e a admirar que na maioria das vezes se comporta como um verdadeiro ogro. Fala alto, fuma em lugares fechados, arrota e peida (não ao mesmo tempo, é lógico) na frente de terceiros, come com as mãos, lambe os dedos, os beiços e palita os dentes sem  a menor cerimônia. Ele tem por assim dizer, vários desvios de comportamento. Mas nenhum de caráter, que é o que diferencia o homem do canalha.Para mim, a ética moral deveria ser mais importante que a etiqueta comportamental. No entanto, nossa sociedade hipócrita  ainda prefere as aparências. A etiqueta.

A palavra ética vem do grego“ethos” que significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra “moral” tem origem no termo latino “morales” que significa “relativo aos costumes”. Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É na verdade, uma reflexão sobre a moral.

IGREJAJá a moral pode ser descrita como um conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São ambas responsáveis por construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade.

Conheço em Búzios algumas figuras de moral falida mas de comportamento exemplar. Andam em mangas de camisas, bem vestidos, cheirosos, engomados, de barba feita e penteados. Lindos, mas de cabeça baixa. Frequentam as mais distintas rodas sociais mas não conseguem dormir em paz. Esse falso comportamento no entanto, funciona como uma espécie de escudo. Se a sociedade admira mais a etiqueta que a ética, damos-lhes então o que deseja – deve pensar essa gentalha.

Sempre notei que as pessoas extremamente religiosas (e são os evangélicos quem mais se destacam nesta seara) preferem a falsidade comportamental que a obrigação ética. Para essa gente, fingir que se é sério é mais importante que sê-lo. Nada como um terno (mesmo que mal-cortado) um sapato preto lustrando, uma bíblia debaixo do braço e uma expressão fechada. O sujeito pode ser o mais mau-caráter da terra,mas se fizer pose de sério, está salvo – deve pensar. Muitas das vezes se sinto ofendido ao ver esse tipo de gente me olhando de soslaio se achando salvo ( de quê?), limpo, acima de qualquer suspeita enquanto eu, por não ter um comportamento adequado a sua falsa moral, aos seus olhos não passo de um ímpio, um ser inferior.

Não ligo: vou seguir em busca da ética e que se dane a etiqueta e a falsa moral dessas bestas.

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