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O BUZIANO

In Uncategorized por Eva LartigueDeixe um comentário

Thomas Sastre

Búzios é um lugar fantástico, mas apesar de todas as suas belezas, não seria tão fantástico assim se não fosse esse legendário personagem, já uma verdadeira instituição – o buziano. A cada personagem que morre se diz a célebre frase: “ai vai um dos últimos buzianos”. O buziano não morre, apenas se transforma. Querer que o buziano seja hoje, o que era há 20, 30, 40 ou mais anos atrás é uma posição reacionária e conservadora; incapaz de admitir que as coisas e as pessoas mudam – evoluem.

Os prazeres, as alegrias, as piadas, as tristezas, etc, mudam, mas a alma buziana permanece. O simples fato de nascer em Búzios, não faz com que uma pessoa seja buziana. Ser buziano é um estado de espírito; é uma filosofia da vida. Nada a ver com geográfica. É mais que um topônimo, tanto pode ser buziano, alguém nascido em Búzios, como no norte, no sul, no nordeste ou no centro do Brasil.

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Existem buzianos, cariocas, mineiros, nordestinos, gaúchos, franceses, italianos, suíços, árabes, turcos, argentinos. Os argentinos tinham tudo para se tornarem grandes buzianos, mas começaram a brigar entre si, a ponto do ilustre embaixador Ramon Avellaneda, que chegou em Búzios em 1960, teve que se mudar para Barra de São João. Os que ficaram passaram a se esforçar bastante para não ser confundidos com europeus não tendo que ouvir a famosa frase que tanto os incomodam: “o argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês”. Um estranho fenômeno biopsicossocial, que ninguém sabe explicar direito, uma vez transplantados para o novo habitat, os argentinos degeneraram e viraram cópias de paraguaio de fronteira .. O buziano é um bom lutador, conseguiu se ver livre do Cabo Frio, apesar da inferioridade numérica. Primeiro porque ninguém pode ser cabo-friense à força, segundo, porque para vencer estando em inferioridade, é preciso coragem e malandragem. Ser buziano de verdade é ter boa índole e acima de tudo corajoso. O clima do município deu a indolência e a capacidade de ficar todo dia na praia e no bar, mesmo quando esta na hora de trabalhar. Uma frase que você escuta do buziano de calção, sol forte na praia de tarde, que diz para o amigo ao lado: vou embora pra cidade, pois tenho o que fazer. Ao que pachorramente o outro reponde na mesma hora: pois eu vou ficar ainda, tenho muito que fazer aqui.

Absolutamente não é verdade que o buziano não gosta de trabalhar. Ele pode não ser muito adepto a muito trabalho, mas dá sempre a impressão que está atarefadíssimo. O autêntico buziano tem a capacidade de regozijar e de se autogozar por mais difícil que esteja a situação ou a vida. Duas coisas o buziano não aceita: de que ele dirige mal ou que é ruim de bola. Dirigir ele dirige mal mais pensa que o faz bem. Horário não é um dos fortes do buziano, mas não abre mão de ter um bom relógio. “Deixa comigo, que eu resolvo”, solícito ele promete quebrar qualquer galho, ainda que deixe a solução para amanhã, ou segunda-feira, quando não, para depois do Carnaval, Semana Santa, Natal, Ano Novo, porém sempre dá um jeitinho.

Uma das coisas que o buziano mais reclama são os condomínios (tem demais), e que a ecologia está seriamente destruída. Lembra que os ladrões não dão sossego a ninguém, mais ai do forasteiro que puser qualquer tipo de restrição à cidade será imediatamente esmagado por uma série de argumentos, teses e provas, garantindo que Búzios é o melhor lugar do Brasil, que, aliás, é verdade.

O prazer de reclamar, a arte de se lamuriar e pichar os governantes, leva o buziano a ser eleitor de oposição permanente. Esta sempre querendo a todo custo ser vereador ou prefeito.. Quando se candidata faz de tudo para agradar a família os parentes,uma vez eleito , arruma seu primeiro problema,, dar emprego a todos os parentes ,se deixar algum de fora :pronto vai ter muita reclamação é oposição familiar ,,   Atribuem aos espanhóis a declaração de que: “si hay gobierno, soy contra”. Tolice, Franco ficou 36 anos no poder e poucos reclamaram.

O buziano ficou saudosista e acabou por chamar cabo-frienses para o governo. Por ser tão carismático o buziano virou até nome de jornal. Vocês hão de ter encontrado, nesta tentativa de retrocaracterística do buziano, o somatório de todas as alegrias de nacionalidade brasileira e estrangeira. Esse amálgama é que permite o produto final – o buziano autêntico. Riso fácil, irreverência, amizade rápida e solidariedade fazem parte de sua característica. Se alguém reclamar que tentei retratar o buziano, mas não falei da buziana, não se espante, ela á exatamente igual ao buziano – só que linda, charmosa e queimada de sol.

 

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