“O futebol atual é pobre”

In Brasil, Búzios, Esportes, Mundo por Eva LartigueDeixe um comentário

DSC06535Entrevista com o ex-jogador francês, que mora em Búzios, Roberto Sab

Por Victor Viana

Roberto Nelson Sab mora no Brasil há nove anos, seu pai é brasileiro de São Paulo e sua mãe é francesa. Logo cedo percebeu que fazia parte de seu destino ser um jogador de futebol.

“Meu pai jogava futebol, era brasileiro. Naquela época o Brasil tinha o melhor futebol do mundo, acho que isso me influenciou e também cada um de nós nascemos com uma disposição natural para sermos o que somos”, explicou filosofando.

O primeiro clube que Roberto jogou foi o R Club – Lens, primeiro como estagiário e depois como profissional. Logo vieram os contratos e Roberto jogou em diversos clubes importantes da França como o Saint Étienne, o Nice e o Auxerrre. Jogou a Copa da Europa e chegou a ser convocado para atuar na seleção francesa.

“A convocação chegou muito em cima da hora e na época eu estudava fisioterapia e era época de prova. Não era muito fácil naquele período, minha prioridade foi estudar e trabalhar, que é o que faço até hoje. É bom que se entenda que naquela época o jogador honrava a camisa de seu time, não tinha muito dinheiro como hoje”, contou ao Perú.

Quando fez 33 anos, após 13 anos dedicados ao futebol, decidiu que era à hora de parar – estava entre os cinco melhores da França-, mas ainda trabalhou como técnico no Catar, onde conheceu e pode jogar uma pelada com Romário.

“Me machuquei lá, cheguei a ter de ficar de bengala por um mês”, se diverte ao contar.

Roberto é contemporâneo do grande herói do futebol francês e um dos maiores craques da história do esporte, Platini. Na conversa que tivemos era fácil perceber sua admiração por ele, na verdade parece tê-lo como um ídolo mesmo.

Sua admiração por Platini é grande, ele o influenciou?
Sim. Antes de jogar contra Platini tínhamos pesadelos. Ele sabia tudo, jogar e liderar um time.

Você disse que o Brasil tinha o melhor futebol do mundo, em sua opinião não tem mais?
Pelo que se viu nos últimos dois jogos não está mais jogando como antes não. No futebol em geral a qualidade técnica é pobre. O futebol pra mim sempre foi arte e isso eu não vejo mais. O Brasil caiu muito, veja que nessa Copa ainda não mostrou nada. Mas vamos esperar porque na Copa das Confederações o Brasil jogou bem.

E a seleção francesa?
Pra mim foi uma surpresa boa depois da derrota na África do Sul, não há um craque, mas há um time. Eles vão no mínimo até a oitava.

Pelé ou Maradona?
Eu acho que não se pode comparar ninguém de épocas diferentes. Não há como comparar, por exemplo, Platini com Zidane. Mas pra mim o melhor jogador de todos os tempos é o Pelé. O Garrincha era bom, mas era ponta direita, jogava cruzando, essas coisas. O Pelé sabia fazer tudo…pé direito, pé esquerdo, cabeceando, fazendo tudo, a visão de jogo, fazendo os outros jogarem, um mestre.

Quais outros grandes jogadores que você teve a satisfação de jogar?
Joguei com Mujica, o melhor lateral esquerdo da Copa de 70, que era uruguaio e com Roger Mila, que jogou na seleção de Camarões, também o Joel Bats, goleiro da seleção francesa. E na despedida do Krimau, no Marrocos, joguei com o Paulo Cezar e o Jairzinho, e foram fantásticos, esses jogadores da Copa de 70. Eram jogadores muito técnicos e hoje infelizmente não há quem jogue como eles. Há Neymar e Messi, mas perto do que eram esses dois é muito pouco o que eles fazem.

Concorda com a serie de regras impostas pela Fifa?
De certa forma sim, mas tem que botar regra, porque o futebol está ficando muito violento. Na minha época estávamos almoçando antes do jogo qualquer um podia entrar falar com a gente, hoje parece um exército, mas as coisas vão mudando mesmo.

Tem algum jogador que possa destacar nessa Copa?
O Neymar é um grande jogador, mas é atacante e então ele tem de receber a bola. Como ele vai fazer tudo sozinho? É como o Cristiano Ronaldo, como ele vai fazer? Vai voltar pegar a bola e trazer até a área para fazer o gol? Por isso que estou satisfeito com a França, porque pode até não ter um craque, mas tem um time.

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