Pelo direito de satirizar

In Búzios por Eva LartigueDeixe um comentário

Por Mark Zussman

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Quando eu morava em Paris muitas décadas atrás e trabalhava nesse mundo da edição, gostava muito do Charlie. Estava até envolvido, muito brevemente, num projeto para trazer uma versão do Charlie para os Estados Unidos. O projeto era mal pensado e ingênuo. O humor do Charlie era totalmente local e se traduzia tão mal quanto a poesia. Ou pior. Nem o espírito desse humor se traduzia bem. O espírito do humor francês, o Charlie sendo um exemplo super-representativo, conteúdo à parte, é uma coisa. O humor brasileiro é uma segunda coisa, o humor britânico uma terceira coisa, o humor americano uma quarta coisa e assim por diante. De qualquer forma, eu acho a liberdade da imprensa muito importante mas eu acho a liberdade de sátira e de fazer chacota absolutamente imprescindível. Sem a liberdade da imprensa e de expressão não tem liberdade, mas sem a liberdade de sátira e de fazer chacota não tem liberdade da imprensa. Viva Charlie! Não gosto da idéia de viver num mundo em que todo jornal ficasse tão sisudo e tão bem comportado quanto o The New York Times, o Le Monde e a Folha de São Paulo. Que chatice.

Mark é jornalista americano erradica em Búzios. Depois de escrever anos para a grande mídia americana agora se dedica a  escrever, quando tem vontade, para o Perú Molhado.

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