Pode graffitar Búzios inteira

In Arte, Búzios por Eva LartigueDeixe um comentário

DSC05904Por Victor Viana

O graffite chegou ao Brasil por volta da década de 70, parece que primeiro em São Paulo, se espalhou pelo Brasil e das grandes cidades se espalhou também pelo interior. Não demorou nada para que a galera que fazia grafite aqui passasse logo a ir além do que era produzido nos Estados Unidos e desse então uma nova cara ao grafite brazuca. O nosso grafite está entre os mais conceituados do mundo!

Em Búzios uma turma vem desenvolvendo essa arte há algum tempo pela cidade e agora já se percebe o nascimento de uma possível “cena” do grafite no município, onde os artistas locais vão se destacando e sendo reconhecidos por sua produção.

É conhecido de todos que a arte do grafite é uma forma de manifestação artística em espaços públicos, na maioria das vezes degradado pelo tempo ou que sofre de abandono social por parte dos poderes administrativos e políticos das cidades em geral. Em Búzios não é diferente e com isso o grafite é bem vindo porque embeleza a cidade com suas cores e formas.

Entre tantos que vão surgindo já dá pra destacar alguns grafiteiros locais como o Boca, Rosm e o Godri. Esses três meio que formam uma Santíssima Trindade dessa arte na cidade. Ainda há uma quarta entidade, já “cascudo” na cidade, que é o Gustavo Gus.

Rosm mora em Búzios e é filho de uma dona de casa – excelente cozinheira – e de um pintor de paredes, com isso convive com as cores desde pequeno. Na Adolescência aqui pelo balneário chegou junto da cultura do hip-hop, em especial do grafite e então seus rabiscos, até ali, influenciados por Mauricio de Souza, Mangás e outros desenhos de HQ e de TV deram lugar a expressão de rua e em pouco tempo um estilo próprio nasceu. Rosm, formado em artes visuais e graduado em comunicação visual, é um estudioso da história da arte e o seu traço tem uma pegada bem forte de geometria.

O Godri, que é carioca, mora em Búzios – lugar onde frequenta desde bem pequeno -, é também surfista e tatuador dos melhores. Formado em desenho Industrial, desenha desde bem moleque, sempre incentivado pelos pais, e já trabalhou como designer para grifes famosas como também já realizou intervenções por todo o Rio de Janeiro. Criou um personagem (é difícil ainda não ter visto um olhos com asas pelos muros da cidade) que é recorrente em sua atuação como grafiteiro e artista plástico. Ele fala sobre a evolução da arte do grafite na cidade.

“Eu acho que a partir do momento que existe um grafiteiro indo para rua pintar por amor já existe uma cena! O Boca e o Gus têm feito junto comigo essa arte acontecer aqui em Búzios. Depois que fizemos um trabalho para a prefeitura a Lago Tintas começou a vender a “colorgin arte urbana”, tinta especializada para o grafiti; isso fez com que continuássemos nossas pinturas na rua com qualidade”.

Leandro Boca é buziano nascido e criado nas ruas e areias da cidade. Como parece ser comum entre os que praticam essa arte, ele desenha desde moleque e conheceu grafite através do rap. Apaixonado pela história e a gente de sua cidade Boca é um dos grafiteiros mais vistos pela cidade, ele é também oficineiro nas escolas públicas do município onde se dedica a ensinar crianças e adolescentes à arte de grafitar. Seus desenhos se destacam pelas tiradas inteligentes e irreverentes. Ele fala sobre outros grafiteiros que estão compondo essa cena nascente do grafite buziano.

“Tem o Nhaco que não é tão novo, mas está voltando a atuar, a Isis Core e a Monica Nani que começaram a transferir seus desenhos para os muros. Tem também o Dann que utiliza da técnica do stencil, entre outros”.

O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para esse movimento, o grafite é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas.

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