Projeto de Índio

In Búzios, Política por Eva LartigueDeixe um comentário

Redesenho e revitalização de Búzios é bem vindo, mas a cidade quer conhecer a fundo o que será feito

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Por Victor Viana

Alardeado na mídia desde o inicio do ano, o mega projeto de reurbanização e redesenho de Búzios levanta o questionamento de alguns formadores de opinião e setores da cidade sobre o fato de que o município como um todo não conhece o projeto que foi aprovado.

O projeto realmente já é notícia, virou, mexeu, sai alguma coisa na mídia sobre ele, mas realmente ninguém nunca viu a planta, ou mesmo o croqui disto. Nas matérias vinculadas em jornais e sites de notícias se fala em contornos suaves e padronização de ruas e calçadas – inclusive nos trechos mais badalados da cidade, assim como ciclovias e rótulas – para evitar cruzamentos e sinais de trânsito, além de travessas elevadas de pedestres. Mas são citações de intervenções de um projeto não conhecido na íntegra. Exceto por dois ou três desenhos em 3D que foram publicados no jornal O Globo em que se pode ver, por exemplo, a orla sem os jardins e com umas estruturas semelhantes a uma arquibancada.

“Acho muito estranho que tenha sido aprovado um projeto que ninguém da cidade nunca viu. Já pensou você sair para trabalhar e quando voltar ter alguém mudando a sua casa, modificando sem seu conhecimento a sua propriedade? É mais ou menos isso. Agora é preciso ficar claro que não estou fazendo críticas ao projeto, porque eu nunca o vi, mas sim ao fato de haver uma aprovação de uma ação tão importante sem a discussão com a cidade ou mesmo a apresentação da mesma aos munícipes”, opinou, por telefone, o arquiteto Octávio Raja Gabaglia (Otavinho) que vê com preocupação esse segredo em torno de um projeto deste porte, e alfineta: “Tem alguma coisa estranha no Reino da Dinamarca”.

O escritório contratado para o projeto é do arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa e seu filho e parceiro, o designer Guto Índio da Costa, e prevê uma intervenção vinda desde o Pórtico, passando pela Orla Bardot, Rua das Pedras e as orlas das praias Bravas, Forno, Geribá, Tartaruga e João Fernandes, é uma promessa de transformação total da cidade sem perder o ar de vila de pescadores chiquê.

Outra parte do projeto que levanta questionamentos e que torna ainda mais necessário a exposição do desenho deste intervenção à cidade seria o nivelamento da Rua das Pedras com o objetivo de dar fim aos tropeços, que levaram a Prefeitura a uma medida impopular em setembro de 2013, em que a rua mais famosa da cidade começou a ser rejuntada com cimento e acabou gerando protestos e mídia negativa em todo o país.

A nova cara de Búzios, garante a prefeitura, não ficará irreconhecível. Mas ganhará contornos que ressaltarão a vocação turística da cidade. Segundo o prefeito André Granado, o projeto contratado, cujo valor não foi divulgado, vai respeitar a identidade do balneário. A nova urbanização, diz, faz parte de um plano maior de ordenamento e humanização de ruas, praias, praças e mirantes.

O arquiteto Helio Peregrino – auto em Búzios de obras como o Pórtico – descorda, diz, mesmo reconhecendo que também nunca teve acesso ao projeto, que pelas poucas fotos que viu em O Globo, achou o desenho pausterizado.

“Gosto do Índio da Costa, mas ele nunca veio a Búzios, não entende do balneário. Desta forma não é certo, essas panelinhas tem de acabar em Búzios. Não pode ser o prefeito que escolhe quem faz isso ou que faz aquilo”, deu sua opinião e indicou uma ideia de como deveria ter sido a escolha do projeto: “Deveria sim ter uma licitação para que vários arquitetos concorressem com seus projetos. Tinha de ser como foi em Brasília, um concurso”. Finalizou afirmando que adoraria ter feito o desenho da nova orla e que tem verdadeira fissura por Búzios, também ironiza: “É preciso resgatar a democracia em Búzios. Mas não me estranha que seja assim em uma cidade onde o prefeito governa por WhatsApp lá da França”.

Para engrossar a polêmica em torno do projeto que visa melhorar a aparência e ainda criar acessibilidade à cidade, há o questionamento do porquê não se fez uma audiência pública onde projetos , inclusive já prontos, como o do arquiteto Beto Bloch, pudessem ser apreciados pela população. Sobre o custo do projeto falasse em quase R$ 2 milhões, no entanto a prefeitura afirma que o projeto é uma doação.

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