“Quem ganha com a falta de informação?“

In Búzios, Especial Minamata, Japão, Mundo por Eva LartigueDeixe um comentário

1394053_559128874135641_937027013_nPor Marcelo Latigue

Em Kumamoto, próximo a cidade de Minamata, o Perú entrevistou a curitibana Zuleica Nycz, tradutora e ativista ambiental que representa a ONG APROMAC (Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte), criada na década de 80 no interior do Paraná que atualmente se dedica a pauta de contaminação e saúde.

Você está na ONG desde a década de 80?
Me juntei a ONG em 2000 e estamos trabalhando com a área da Agenda Marrom, contaminação química, resíduos e saúde, que não era parte da atuação da ONG em suas origens. Esse é um novo departamento a que estamos atuando.

Como vê a movimentação do governo brasileiro nesta questão do mercúrio?
O Governo Federal está participando de todas as reuniões, isso é importante. Mas não existe uma política nacional de mercúrio. Quando éramos membros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), em 2008, propusemos uma moção pedindo ao governo que desenvolva uma política nacional para o mercúrio. A moção foi aprovada, mas até agora não houve avanço. Por outro, os cidadãos estão ativos. Um exemplo é a Dra. Cecília, em São Paulo, que fez um trabalho de banimento do mercúrio em hospitais públicos.

Ainda falta informação à população sobre o perigo deste metal?
Muita. Pois quem tem a obrigação de fazer campanha e proibir a venda de termômetros nas farmácias é o Governo, e ele não o faz. Já deveríamos estar resolvendo o problema do mercúrio lançado nos rios da Amazônia, mas ainda estamos discutindo a questão do termômetro, do amalgama dentário e das lâmpadas. Estão aí no mercado e as pessoas não estão conscientizadas dos riscos da exposição ao mercúrio.

Por que isso acontece?
Eu também gostaria de saber. Quem está impedindo que o Brasil resolva esse grave problema? Se o mal é tão grande como já foi provado e está sendo denunciado e o governo tem ciência disso, por que não se toma uma providencia?

E há muitas pessoas contaminadas no Brasil?
Não temos um número oficial, mas muitos trabalhadores foram contaminados nas antigas fabricas de lâmpadas do Brasil, que fecharam, mas deixaram a contaminação no solo e nos homens. Há também os trabalhadores das antigas fábricas de mercúrio. Existem ainda vacinas que contém mercúrio e ninguém sabe quantos foram contaminados. Fora as pessoas, que são muitas, contaminadas pela exposição aos restos do mercúrio nos lixões.

O mal invisível de uma contaminação de mercúrio em uma cidade é como a de uma contaminação nuclear?
É muito parecido com um acidente nuclear, mas com um número menor de pessoas. As pessoas não estão conscientizadas dos riscos do mercúrio. Existem poucas informações para nós cidadãos.

O Brasil está adiantado em relação aos outros países da América Latina?
Pelo contrário. O Brasil é um dos países mais atrasados em relação a questão do mercúrio. Há muito projeto, mas pouca ação. O Uruguai está fazendo uma serie de projetos em várias áreas, embora não tenha os mesmos problemas que o Brasil.

Conversei com a Ministra do Meio Ambiente do Brasil aqui no Japão, o que acha dela?
Eu ainda não consegui encontrar com ela, mas eu gostaria de entregá-la um relatório que fizemos com medições atmosféricas em plantas Cloro Álcalis em quatro estados: Pernambuco, Bahia, São Paulo e Rio. Todas elas emitem mercúrio, o que é gravíssimo.

Quais as ares contaminadas no estado do Rio?
Em Manguinhos, as margens da Baia da Guanabara, há uma grande área de contaminação que é a antiga fábrica da GE. Há uma organização atuando e buscando justiça já que crianças usam esta área para brincar e já existem algumas famílias morando por lá.

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