Tofu no Japão

In Búzios, Especial Minamata, Japão, Mundo por Eva LartigueDeixe um comentário

SONY DSCPor Marcelo Lartigue

Durante nossa passagem por Tóquio pude conversar com a nipo-brasileira, Kyouko Nakagawa, uma psicóloga que vive no Japão e que nos ajudou a dimitificar algumas imagens que tínhamos sobre o Japão. Aparentemente fiquei impressionado com o ambiente de limpeza das cidades e das raras imagens de pessoas bebendo álcool ou fumando. No entanto Kyouko nos informou: “ Aqui o controle da droga é mesmo mais rigoroso. Mas não quer dizer que não tenham, tem e muito, acho que o sistema de escondê-la é que é mais bem feito. Ouvi de alguns brasileiros que há inclusive entrega de drogas em casa”.

Muito se fala do alto grau de escolaridade das crianças japonesas. Mas o preço para isso me pareceu muito alto. Foi também Kyouko que me contou que o sistema de ensino no Japão é demasiado rigoroso e que é grande o número de crianças e principalmente adolescentes que se suicidam devido a forte exigência do sistema educacional japonês.

Algo que me chamou muita atenção aqui é que as infrações de trânsito não são consideradas crimes. Nas viagens que fiz pelo país me senti impressionado com a serenidade religiosa dos japoneses, já que no Brasil são muitas as barulhentas Igrejas Evangélicas por onde a gente anda. Mas um contato mais próximo me fez perceber que os japoneses são extremamente supersticiosos e que há muitos templos xintoístas e budistas principalmente nos vilarejos. No entanto são silenciosos e discretos. Mas As igrejas evangélicas estão começando a se espalhar pelo país através dos milhares de brasileiros que vivem aqui, “ onde há concentração de brasileiros verá muita igrejinha evangélica, onde se canta, chora, se abraça, essas coisas. Os japoneses não cultuam com essa cantoria toda, isso é coisa de brasileiro. Mas quase todos os brasileiros, e são cerca de 60 mil se são me engano, são evangélicos”, disse Kyouko.

Os brasileiros que trabalham aqui no Japão dão muito duro nas fábricas e moram, na grande maioria, em cubículos amontoados em condomínios subsidiados pelo governo, na cidade de Toyota chegam a 3.000 mil brasileiros residindo em um desses condomínios.

Sobre a complexidade da língua japonesa percebi no meu dia a dia que não é tão difícil assim, como me disse a Kuouko o que é bem complicado é o aprendizado dos ideogramas. A fala nem tanto como se supõe.

Como relatei na última edição estive em Hiroshima e vi a desgraça causada pela bomba que os americanos jogaram sobre a cidade, há um discurso de que as rusgas entre os dois países estaria superada e que o Japão deseja viver em paz com todos os países. Assumo que esse discurso me tocou mas me custava acreditar que algo tão aterrador pudesse ser superado com tanta facilidade. Minha descrença parece que estava certa, “

O povo japonês tem dificuldades com americanos sim, essa convivência não é tão amistosa como gostam de fazer acreditar. Basta olhar o memorial de Hiroshima e não há como acreditar que se possa esquecer isso facilmente”, disse Kyouko que também respondeu rápido minha indagação se o Japão era mesmo tão pacifico: “ O japonês é um povo bélico, basta ver quantas guerras o Japão participou”. Quis saber o por que então tanta tolerância com os americanos e ela me disse que os motivos são meramente econômicos, “ existe uma suposta aceitação por vários motivos e principalmente comerciais e econômicos. Aqui há uma brincadeira de que o Japão é o 51º estado americano. O Japão realmente não deixa de ser um estado americano, pois depende diretamente da economia americana . Chegamos a dizer que se o Estados Unidos espirra o Japão fica gripado (risos)”, disse a nipo-brasileira.

Observo que ao menos a economia japonesa vai bem, que não há inflação e Kyouko finaliza: “ O fato de não ter inflação não quer dizer que a economia esteja bem, ela não conseguiu se recuperar ainda”.

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