Trabalhando sério

In Búzios, Política por Eva LartigueDeixe um comentário

DSC_0459Por Sandro Peixoto

Em dezembro passado, caiu em Búzios uma chuva inimaginável. De proporções bíblicas. Choveu em pouco mais de duas horas o equivalente a três meses do esperado para o período do verão. O aguaceiro afetou a cidade por inteiro, principalmente os bairros de Cem Braças e de Manguinhos. Cem Braças ficou alagada por dias e as ruas Vieira Câmara, Celeste da Costa e da Linguiça -todas em Manguinhos- também foram bastante afetadas. Na época, nosso jornal fez uma grande cobertura e de maneira clara afirmou que o prefeito André não era o culpado pelo transtorno, mas sim, o responsável para acabar de vez com ele.

A chuva que poderia ter sido interpretada como uma tragédia, na verdade, foi uma bênção pois mostrou tudo que foi feito de errado nos últimos 16 anos. Hoje, sabemos onde a rede pluvial foi mal dimensionada, onde as curvas de nível foram ignoradas e as áreas alagadas (brejos, lagoas e de passagem natural das águas) foram aterradas. Ao que parece, até o último governo, as obras eram feitas de maneira amadora sem importar o crescimento imobiliário da cidade e seu consequente adensamento.

Não tivemos uma tragédia com mortes por pura sorte. A mesma chuva provocou óbitos e deixou várias cidades em estado de calamidade no estado do Espírito Santo. Agora, o atual governo trabalha para acabar de vez com os alagamentos em Manguinhos. Enormes galerias de água pluvial estão sendo colocadas no bairro interligando as ruas Vieira Câmara, Celeste da Costa e da Linguiça à Praia de Manguinhos, na altura da Barrinha, próximo à Escola Nicomedes.
Essa obra custará pouco mais de três milhões e trará enormes benefícios para aquele bairro. A atual rede pluvial da área tem vários tipos de galerias e nenhuma suficiente para a demanda. Na Celeste da Costa, a nova rede terá 900 metros de galeria com 1,5 metro de largura por 1 de altura. Quando estiver pronta os moradores locais, enfim, poderão dormir tranquilos durante o verão.

Picasso, morador de Búzios há mais de 20 anos, visitou a obra a convite do prefeito André e se mostrou esperançoso em relação ao fim dos alagamentos.

“Moro numa rua linda. A Rua das Flores. Cuido da rua e sofro muito quando chove e a alaga tudo. Na última grande chuva minha casa foi totalmente tomada pela água. O prefeito prometeu aos moradores resolver o problema e está fazendo a obra. Mas sei que é preciso mais que galerias. A população tem que ajudar também, não jogando lixo nas ruas senão entope as galerias” finalizou Picasso.
Obras DR Andre Manilha02 147
Os bairros de Cem Braças, Capão e Tucuns não foram esquecidos

Os moradores de Cem Braças e adjacências também não foram esquecidos. A prefeitura já contratou uma empresa para implantar um sistema emergencial de controle de enchentes para a bacia hidrográfica da área. Cem Braças, Capão, Tucuns, São José e Loteamento Pórtico de Búzios. Todo o sistema atual de bombeamento será trocado e serão instaladas bombas modernas e de grande capacidade, com sensores que acionarão as mesmas, assim que o acúmulo de água se mostrar acima da normalidade.

Para Cem Braças, quatro bombas centrífugas com capacidade de sucção de 100 litros por segundo serão instalada naquela casa de bombeamento que fica ao lado do DPO. São bombas especiais que sugam água de chuva e de esgoto, algo comum naquela área. Uma segunda estação de bombeamento será erguida no bairro do Capão (essa maior e com capacidade de bombear 160 litros por segundo) com mais quatro bombas e tubulação de PEAD (um polímero de alta densidade, mais resistente que o tradicional PVC) de 300 milímetros com 1.700 metros de extensão, que levará toda a água das chuvas para a Praia de Tucuns. Essas bombas estarão ligadas a um gerador de 175 KVA com quadro automatizado e controle de nível através de ultra-som. Ainda serão instaladas duas estações meteorológicas digitais com pluviômetro anemômetro e barômetro. Uma em Cem Braças e uma no Capão.

A estação de Cem Braças vai funcionar de maneira constante, já a do Capão só entrará em funcionamento quando houver necessidade. O bairro de Cem Braças surgiu em uma grande área alagada. Naquele local, o lençol freático está há menos de dois metros de profundidade. Para piorar, quase toda a rede de esgoto dos imóveis do local estão ligadas na rede de águas pluviais. Essa água suja segue por gravidade até um valão e depois é bombeada para a rede coletora de esgoto da Prolagos. Esse é um outro problema que a prefeitura terá que resolver num futuro próximo.

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