Versão 2

Trânsito, salve-se quem puder!

In Noticias por Eva LartigueDeixe um comentário

Por Mônica Casarin

O trânsito de Búzios é um dos mais mortais do Brasil! Proporcionalmente ao número de habitantes, nossa cidade se destaca no ranking brasileiro e apresenta uma alta taxa de óbitos. Segundo os dados do DATASUS, do Ministério da Saúde, a cidade de Armação dos Búzios teve constatados 12 (doze) óbitos devido a acidentes de trânsito, no ano de 2013 e uma taxa e mortalidade de 40,28% por 100 mil habitantes; contra a média nacional de 20,12% por 100 mil habitantes.

Mas não precisamos de estatísticas para perceber a selvageria com que o buzianos lida no dia-a-dia do trânsito. Basta circular um pouco pela cidade, principalmente na Avenida José Bento Ribeiro Dantas que deve ter vergonha de ter seu nome ligado a esta via, que é justamente o oposto de tudo o que ele sonhou!

São pedestres atravessando fora da faixa – mesmo que esta esteja a menos de 2 metros de distância; veículos motorizados que não respeitam as faixas de pedestres; Guardas Municipais que não se impõem no controle do trafego de pedestres na faixas ou fora delas; bicicletas sendo “forçadas” para fora das vias públicas por veículos maiores; bicicletas andando na contra-mão; carros andando na contra-mão; todo tido de estacionamento irregular – até das próprias autoridades; enfim, uma verdadeira briga de foice no escuro.

Cidadão irresponsável

Não se pode culpar somente o poder público pelo caos do trânsito buziano, na verdade são os próprios cidadãos – usuários do sistema viário – os maiores responsáveis pela tremenda irresponsabilidade que vemos todos os dias.

Exemplo: finalmente a cidade começa a ter calçadas, baias para a parada do transporte público e travessias próprias para os pedestres. Por enquanto ainda em poucos lugares, mas já é o começo. E o que cidadão faz? Aproveita estes benefícios? Não, continuam a agir como se nada existisse. Estacionam seus carrões – e carrinhos – nas novas calçadas, quebrando tudo; quase passam por cima dos pedestres que estão atravessando na faixa elevada – mesmo que isto arrebente com o fundo do seu carrão; os ônibus e as vans continuam parando fora do ponto, mesmo quando ele está ao seu lado!

Claro que andando assim, vamos continuar com a mesma taxa de mortalidade no trânsito, mesmo que algum dia a cidade venham a ter o tão falada reestruturação viárias e de mobilidade urbana, que escutamos a tantos anos.

Sem infraestrutura

Não podemos dizer que a cidade está pronta para que o cidadão possa circular livremente e com segurança. Não, longe disso. O trecho entre o Posto de Ceceu e a Via Azul é um exemplo. Não tem calçada, não tem acostamento descente, não tem sinalização, não tem iluminação adequada, enfim, não tem nada! Isto só para falar da principal avenida da cidade, a J.B.R.D. Se entrarmos para dentro dos bairros, a situação fica muito pior.

Não existe nenhum planejamento e controle sobre uso e ocupação de vias públicas na cidade, e isto vem lá de antes de sua emancipação. Vão se abrindo ruas, para construir casas, e ninguém se preocupou com a circulação. Nos bairros as ruas são estreitas, sem calçadas, sem drenagem (alagadas) e cheias de obstruções no percurso.

Búzios tem 20 anos como município, e a única obra de infraestrutura viária feita foi aquele trecho da Via Azul (entre Estrada da Usina e Tartaruga). Alguns vão falar da Via Alternativa (entre a Ferradura e Geribá), mas esta não pode ser considerada uma obra de infraestrutura, já que não tem acostamento, nem calçada, nem iluminação… só asfalto e carros em velocidade. Apenas abriram uma estrada!

Responsabilidade coletiva

Circulando por Búzios, muitos turistas – e até moradores – têm a impressão que as leis de trânsito aqui são especiais, diferente dos outros lugares. E para muitos moradores, realmente as regras de Código Brasileiro de Trânsito são mesmo ‘inaplicáveis’ na cidade. A frase “estamos em Búzios” é sempre ouvida quando alguém reclama de alguma infração. Vai ver que é mesmo, só falta oficializar!

A responsabilidade pela segurança do trânsito e boa convivência é de todos. Do poder público que deve oferecer a infraestrutura necessária e fiscalizar; e também do cidadão – eu e você – que temos que respeitar as regras e, principalmente, o outro, cujos direitos são os mesmos.

Então, que tal um esforço?

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